Vestida de preto, mangas compridas, ombros nus, a escuridão do seu vestido parecia não ter fim, a dança dos cabelos negros, compridos, mais pareciam mãos, as mãos de quem a queria. Acompanhava de tal modo o mvimento do vento que parecia fazer parte dele, ela era o vento, o vento num dia tempestuoso.
Por momentos, olhei em redor, uma visão de branco infinito apoderou-se de mim, tornei a olhar-lhe, ali estava ela, sozinha, rodeada de neve.
Apercebi-me. O ar que emanava tinha um único propósito, destruir.
Se pretendia destruir algo exterior, não conseguiu. A única coisa que parecia destruir era ela própria.
Olhava-me penetrantemente.
Estava longe, estava muito longe.
Desisti de lhe olhar.