24/02/10

These are weighty secrets. We must whisper them.

Eu tenho mais culpa que o meu pai. Nunca pensei que houvesse maneira de interromper um amor inquestionável. Nunca tinha percebido familias desfeitas, filhos que fogem de casa, filhos que nao falam com pais, filhos que não amam os pais.
Eu amo os meus pais, mas agora percebo melhor, porque descobri que posso amar um pouco menos, e que posso nao gostar deles e continuar a ama-los.
Nao gosto do meu pai, deixei de gostar. Eu quero gostar , mas nao consigo obrigar-me, e isso faz confusao. Como é que nao estou a gostar do meu pai agora, como é que nao tenho saudades dele, nem dos seus braços grandes que me protegem sempre, nem do seu cheiro a after shave. Como? Fico triste, porque me lembro, bem fresco na memoria, de ele ser grande parte de mim. De as saudades serem uma fatia gigante do meu ser.. Como é que funciono igual sem uma fatia tão grande, quando outras tao pequenas me tiram o rumo da vida? Se calhar nao é o seu tamanho, mas a faca que as corta.
Nao quero atender os teus telefonemas, nao quero responder às mensages. Estou à espera de gostar de ti outra vez, até lá, nao forço nada. Rezo para que goste de novo, se não vou-me odiar a mim mesma.
Que faca foi essa pai? As armas e e os segredos que guardam nas nossas casas chocam-nos. Não sabia que existiam armas para cortar o amor, mas depois lembrei-me que as armas são para isso mesmo, não sei onde é que eu tinha a cabeça, afogada em tanta fantasia.

Até agora tenho tido as mais diversas opiniões sobre isto. Metade acha q eu não devo forçar, na outra metade dizem que estou a ser infantil, porque quem errou mais fui eu. A essas pessoas já pedi desculpa, mas não controlo o que sinto.