Faz-me sempre confusão quando a minha vida para e todas as outras continuam, indiferentes. Acho que quando o nosso corpo tem que parar, temos que deixar a vida continuar, para não partirmos nenhum osso nem nenhum coração no caminho. Outra vida virá para nós e alguém há-de agarrar a nossa antiga vida. Agora que a minha vida mudou, não sei onde é o meu lugar neste mundo, depois de ter presenciado, vivido e sobrevivido tanta coisa, coisas tão fantásticas, coisas tão pesadas, coisas tão novas, não sei onde me vou encaixar. Quem sabe a minha antiga vida ainda está aqui à minha espera, quem sabe eu possa guardar esta nova vida num cantinho da minha cabeça e viver a minha antiga vida. Esta vida nova não era vida para ninguem.
Agora eu percebo: o que acontece em andorra fica em andorra, sempre me disseram. E não podia funcionar de outra maneira. Ninguem pode viver de situações tão extremistas e traze-las para cá, para o mundo real, e embora eu não saiba nada bem explicar o que sinto, quero dizer que eu amo andorra e que não sopurtava aquilo mais um dia. Não sei ainda se estou feliz ou triste de já ter vindo embora.
Perdi um bocado de mim, mas ele não deve ter ido longe