18/05/10
Não dispenso o sorriso da minha mãe nem o cheiro do meu pai. Nem o feitio da Maria nem os olhos da Pilar nem a alegria do Ricardo. Não vivia sem a simpatia da Mafalda, as lógicas arrebatadoras do Diogo e as mocas do Rafa e do Faísca. Não vivia sem as conversas profundas que só a Marta entende e sem as discussões com a Rita. Preciso do Sol de Faro e do Movimento de Lisboa. Não vivo sem o David, e não digo a ninguem porque já ninguém quer saber de uma história que acabou há um ano e nunca gostei de desabafar com quem não ouve ou não compreende. Não sei como é que se vive agora que se descobre que o David não vive sem a Catarina há um ano, até porque eu nunca tinha tido coragem de averiguar. Não sei como é que no meio de tanta coisa boa não sei viver sem a que menos me faz bem, e mesmo depois de tanto tempo ainda me continua a dar insónias, crises, choros e falta de ar. Não sei lidar com uma coisa que mal cabe dentro de mim e que mesmo assim ainda ninguém notou, mas eu sempre soube fechar bocados de mim. Não vivo sem escrever todos os momentos esmagadores, principalmente os que me esmagam pela negativa. Dispenso todo este amor dentro de mim, e aposto que muita gente precisa. Tenho demais e não preciso de nenhum bocadinho. Todo este amor é sofucante, tenho tantas saudades de não estar apaixonada. Não sei o que isso é há anos, mas também não sabia que magoava tanto