Certa vez eu tentei dormir de máscara.
Resolvi deixar aquela coisa que carregava no rosto ali mesmo e fui para cama.
Nada de tristeza ao tirá-la, nada de encarar meu rosto cheio de culpa e mágoa.
O engraçado foi olhar para o espelho da porta aberta do guarda-roupa.
Vi uma face branca, inexpressiva, numa posição nunca vista antes.
Não era a de sempre, a de espreita nem mesmo a de mágoa.
Era tão indefesa... Chegava a dar vergonha.
A minha primeira reação foi tentar tirá-la, mas resisti.
Não havia culpa, finalmente.
Nenhum princípio de ruga. A sobrancelha não sinalizava o choro.
Os lábios não arqueavam para baixo, formando um beiço vergonhoso.
Nada. Seria finalmente uma noite de paz...
Se não fosse uma maldita voz ecoando em minha cabeça:
- Durma bem, seu covarde...
Tirei a máscara e chorei até cair no sono...