Tenho tido noites aleatórias. Tenho um grupo um bocado hardcore (ninguém se corta nos pulsos mas mesmo assim......). Saio à noite todos os dias, vivo sozinha, sobrevivo de fast food, fumo demasiados cigarros, não recuso uma ganza e bebo muito. (ok, recuso muitas ganzas, a serio).
O Algarve é perigoso, no outro dia não ia sair, fui tomar café, a minha noite acabou na ilha de Faro as 8 da manhã, tão bebeda. Ontem ia à pré-abertura do Villa e acabei por não ir porque o Ricardo foi barrado pelos seus calções lindos (a sério, que falta de senso).
Adoro andar por aí com o Ricardo, ele cocainado, eu bebeda. Deixa de chocar ao fim de algum tempo, agora já só magoa um bocadinho, mas ele sabe. O Ricardo foi barrado e fomos passear à marina, vimos o FACES, está lindo, hoje é a reabertura (sim, bora sair outra vez Inês!*). Acabei a noite na Trigonometria com mais 30 meninos de 16 anos (não sou de discriminar mas de repente faz confusão como eu era pequena demais para sair).
A Mafalda uma vez disse que os beijos são muito técnicos. Eu não percebi logo. Associei beijos ao David, não associei beijos ao Ricardo. É uma questão de diversão, o facto de eu beijar o Ricardo. E é técnico acima de tudo. Ontem eu percebi.
Se alguém tem amigos próximos que estejam numa de cocaina, cristais e acidos deve saber que são super amorosos, mas que isso muda num segundo. E que são bastante lúcidos, de uma maneira estranha. O Ricardo não me larga quando está neste estado, nunca me importei, gosto que me dêm a mão, que me levem ao colo e que me agarrem na cintura. Também nunca me importei de o beijar, não faço ideia de quantas vezes já beijei o Ricardo. Para mim o Ricardo é o meu amigo gay, é realmente uma coisa técnica. Mas ontem aconteceu uma coisa estranha, porque eu recusei um beijo dele (não sei porque), e ele disse:
"Inês, eu não gosto de ti normalmente. Mas neste estado, eu admito que sinto alguma coisa sempre".
Foi estranho. Depois, mais tarde, beijei-o, mas de repente deixou de ser técnico, e de repente foi diferente. E a partir daí a mão dele na minha queimava e de repente eu não a queria largar. Nunca mais toco no Ricardo.
Limpem-se as lágrimas, que um sorriso se esboce. Ergua-se a Fénix em nós, comece a metamorfose.
*Vês Marta? Rima sempre.
ps-não sei ate que ponto , expor-me assim e aos meus amigos é aceitavel