11/07/10

Theres a drumming noise inside my head (...) it makes such an almighty sound

O comboio é terrivel, é como parar o tempo durante quatro horas e de repente saimos e perdemos o dia todo. E então chego a Faro, e de repente está calor e são dez da noite, é como quando chegamos ao Brasil no Natal e estamos a espera de frio e uma estalada quente nos bate na cara ou quando estamos a andar de carro no Verão e paramos numa área de serviço algures no Alentejo para almoçar. É assim chegar a Faro, e depois dá-me sempre vontade de chorar ou de fazer alguma coisa estupida, e depois, logo a seguir, vem um cheiro intenso a mar.
O cheiro a mar é demasiado forte para ser um bom cheiro, eu acho. Mas por outro lado abraça-me e é aí que eu decido que não tenho que chorar nem que fazer nada. Não é bom mas sabe tão bem, e à minha frente tenho o por-do-sol na ria e eu não percebo como é que fizeram uma estação ferroviária com uma vista tão priveligiada. Saio da estação e já não cheira a mar, e depois devo receber uma mensagem do David a perguntar se já cheguei. Aí eu lembro-me porque é que queria chorar, e sinto-me logo muito estupida por ter ido a casa dele bebeda depois do alive, e ter ido a praia com ele e ter-me esquecido da toalha o que implicou que ficassemos bastante juntos e ter voltado a casa dele quando sai do bairro-alto as 5 da manhã. Não sei bem porque faço essas coisas mas na altura não me lembro da estação e do cheiro a mar e do por-do-sol e das quatro horas em branco que vão culminar numa Inês super cansada e fragilizada que se vê sozinha, e vai para uma casa vazia, enquanto o David volta a sua vida normal e equilibrada com a Catarina, sem a Inês.

O meu telemóvel caiu num copo de leite, não tenho contactos, assinem as mensagens que me mandam :)