E se nós formos, onde os relógios não cantam e a chuva não molha. A tua cabeça é veneno mas assim até eu morro, e se a vida for sempre assim eu aposto todo o meu dinheiro e mergulho de cabeça, porque eu acho que de repente mais nada importa.
E se reinventássemos o "amor e uma cabana"? Eu gosto de paixão e se o meu vestido tiver a cor errada ninguém se importa. Vermelho nunca é a cor errada e a comida nunca tem cebola ou tomate a mais.
Sinceramente.. dá-me manhãs geladas com sol de primavera e eu fujo contigo agora, para lá onde é sempre dia e noite, onde cheira a ti e ao meu cheiro em ti.
Sabes? Eu acho que se houver música o meu coração não para de bater e podemos viver para sempre, numa só noite, caótica e quente, sem precisar de mais nada a não ser da batida da música com a do meu sangue contra a tua boca. E nisso, aposto todo o nosso dinheiro.
E se eu quiser, somos crianças até morrer. E se, num momento distraido, eu arrancar toda a relva do mundo só porque sabe tão bem, não quer dizer que não nasça mais relva. E se tu não me quiseres mais, depois desta noite, não quer dizer que não nasça mais relva.
Eu já apostei tudo, e de uma maneira ou de outra, saimos sempre a ganhar, porque tu me fazes esquecer as letras das músicass, deixas-me aquele vazio que me põe tonta e me faz arrepiar até ficar sem ar, e está tudo bem desde que a música continue a pulsar o meu sangue para os meus lábios já inchados contra o teu peito, onde os relógios não cantam e a chuva molha, mas sabe tão bem.
inês aires