20/01/11

Hoje foi um dia estranho. Pressenti-o ontem quando adormeci. Dormi mais horas do que o habitual, cumpri aliás o mínimo de horas que todo o bom pai e mãe impinge a qualquer filho. Só que ontem antes de adormecer deixei a cabeça noutro sítio porque ela precisava de apanhar ar e de sentir o cheiro do mar, levei-a a umas arribas que conheço na Madeira e uma vez lá fugiu-me, a sacana, são cenas do outro mundo, psicologias baratas e coisas que coitada só eu acho piada. Os meus olhos (não sei como) mantinham a mira no azul das ondas brutas lá de baixo, o barulho daquela naturalidade toda era ensurdecedor e eu não ouvi o que pensava mas hoje (não sei como) quando acordei sabia em tinha pensado. Isquisito não é? Seria de pensar que hoje fosse mais um dia como todos os outros mas não, hoje foi o dia em que a marta caiu à saída do metro com uma moleta dum cego muito apressado enfiada entre as pernas. Esta é que não sei mesmo como. Hoje foi o dia "Uma noite...deixo-te completamente abatanado. Hoje é a noite".
Ando desde há um tempo à procura de qualquer coisa que faça de mim a pessoa segura que sei que sou e até hoje pensei sempre que pela lógica teria de ser algo estável que me devolvesse segurança, algo com o qual eu podia contar sempre. Hoje entendi que provavelmente é o contrario da lógica (o contrario da lógica tem lógica na mesma) que devo crer. Não ter segurança nem certeza de absolutamente nada é bom e faz bem à saúde.

Saudações académicas
(de alguém que não vai acabar o curso)



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